quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Trânsito de Júpiter em Capricórnio

Considerações iniciais
Júpiter permanecerá no signo zodiacal de Capricórnio de 18/12/2007 a 05/01/2009.
Saturno, seu dispositor, durante todo esse período, encontrar-se-á no signo zodiacal de Virgem, permanecendo retrógrado entre 19/12/2007 a 02/05/2008.
Júpiter estará retrógrado entre os dias 09/05/2008 e 07/09/2008.
Assim, num primeiro momento, podemos dividir os períodos do trânsito de Júpiter em Capricórnio da maneira abaixo:
• 18/12/2007 a 02/05/2008: Júpiter direto e Saturno retrógrado.
• 03/05/2008 a 08/05/2008: Júpiter e Saturno diretos.
• 09/05/2008 a 07/09/2008: Júpiter retrógrado e Saturno direto.
• 08/09/2008 a 31/12/2008: Júpiter e Saturno diretos.
• 01/01/2009 a 05/01/2009: Júpiter direto e Saturno retrógrado.

O papel de Saturno
A função do dispositor de um astro é indicar as suas causas ou motivações.
A grosso modo, o papel de Saturno no signo zodiacal de Virgem é organizar e estruturar os meios de produção e os métodos de trabalho. Sua ação sobre as indústrias é buscar resultados tangíveis através da competência, cobrando responsabilidades de todos aqueles que participam do processo produtivo.
A Tradição Astrológica confere a esta configuração a fama de indicar muito trabalho sem uma contrapartida financeira proporcional ao dispêndio de energia ou tempo dedicados, o que torna evidentes os baixos salários.
Avesso ao desperdício, podemos esperar que reduza a ociosidade industrial a níveis bem reduzidos. Ou seja, do ponto de vista da produção, antes de realizar novos investimentos, é melhor contar com a exploração dos equipamentos e meios já disponíveis.
O Brasil é naturalmente governado por Virgem, fazendo com que este pais se torne mais sensível à ação de Saturno. No tema da Independência (07/09/1822, 16:53, São Paulo-SP), este trânsito ocorre na casa VII, que trata do comércio exterior do país. Portanto, sugere que atividade produtiva tem como foco a exportação.
Contudo, Virgem é também o signo da saúde e, o trânsito deste astro neste signo indica todas a conhecida necessidade de estabelecer uma boa organização que atenda à demanda especialmente das classes menos favorecidas, que podem ou não estar empregadas, uma vez que Saturno na casa VII em Virgem não favorece ao trabalhador de baixa grau de instrução ou capacitação profissional.
No âmbito mundial, Saturno indica as dificuldades de sobrevivência encontradas pela fauna e flora do planeta, entre outras coisas.
Outras indicações são ainda possíveis, mas gostaria de manter o foco na atividade produtiva que tem como fim, ser comercializada.

O papel de Júpiter
Normalmente, expande tudo que toca, sendo dado aos excessos.
No entanto, em Capricórnio, no signo zodiacal de sua Queda e sendo governado pelo restritivo Saturno, não haverá muito que possa fazer em termos expansivos e progressistas, particularmente quando este último astro se encontrar direto. Dos diversos significados associados a Júpiter, gostaria de me ater àqueles associados aos negócios, ao mundo das compras e das aquisições, passando pelas atividades bancárias, bolsas de valores e o mundo financeiro em geral. Alguns irão lembrar que este astro representa a figura do embaixador ou do profissional que trabalha com o comércio exterior e, esta indicação será levada em conta mais adiante neste artigo.
Capricórnio é o signo da atividade comercial organizada, como é o caso dos shoppings centers e dos postos de revenda e distribuição. É um signo onde se espera austeridade e seriedade, tendo como objetivo a materialização de resultados. O extravagante Júpiter obviamente que não se encontra à vontade numa região do céu tão dada à seriedade e objetividade. Este signo é ainda aquele das câmaras de comércio e dos órgãos de governo e, o que Júpiter têm de provar enquanto estiver por aqui, é sua credibilidade, uma vez que, no signo anterior, não precisou se preocupar com isso.
Com estas observações em mente, não dá para simplesmente considerar que "expansão" seja automaticamente o tom do período em que Júpiter estiver no signo de Capricórnio. Ao contrário, pode-se afirmar que, em certas ocasiões, ela até ocorrerá, mas dentro das características próprias do signo no qual se encontra.
No mapa do Brasil, Júpiter estará na casa XI e sem formar aspecto com a sua posição natal, na casa IV. Isso quer dizer que, apesar de atuar no campo das alianças (ou pactos) sociais, das finanças de governo e no Congresso, os benefícios não serão sentidos pela população e ainda, as notícias sobre esses assuntos não interferem na opinião popular.
Contudo, a ação de Júpiter ao longo do ano terá nuances, como sugerido pelos períodos indicados acima.

Júpiter direto e Saturno retrógrado
Tão logo Júpiter ingressar em Capricórnio, Saturno, seu dispositor, estará em movimento retrógrado. Com isso, este tende a ser um período menos difícil e restritivo para as atividades comerciais e os negócios em geral. As dificuldades próprias desta época decorrem da produção industrial e não de sua comercialização, portanto, este é um período em que o comércio se encontra aquecido e podemos esperar alguma elevação de preços em razão da demanda aquecida.
Nota: Termos são uma dignidade essencial baseada nos Domicílios, Exaltações e Triplicidades. Os luminares não participam desta dignidade. Indicam uma participação, cooperação ou colaboração. Foram utilizadas os Termos de Ptolomeu.
Entre 18/12/2007 a 14/01/2008, Júpiter estará nos termos de Vênus. Em razão do posicionamento deste último astro, os bons resultados do comércio são obtidos por meio de financiamentos, crediários e cartão de créditos. Existem melhores possibilidades de vendas quando Vênus ingressar em Sagitário (31/12/2007), exceto entre os dias 05 e 07 de janeiro, quando se observa maior comedimento. De todo modo, uma ótima época para vender bens de consumo.
Entre 15/01/2008 e 11/02/2008, Júpiter estará nos termos de Mercúrio, bastante favorável para as atividades comerciais em geral, até quando iniciar o movimento retrógrado, em 28 de janeiro. A partir desta data, é de se esperar que as operadoras de serviços de cobrança entrem em ação. Embora não se possa falar de estagnação, trata-se de uma época de resultados moderados, apropriada para a realização de balanços financeiros relativos a períodos anteriores. Deve-se esperar resultados modestos, enquanto a indústria se organiza. Acordos bilaterais ou contratos internacionais devem ser tratados neste período, com o propósito de assegurar a continuidade das vendas. Um pouco melhor entre os dias 17 e 24 de janeiro, para o setor de construção civil e farmacêutico e, para o setor de decoração nos últimos dias de janeiro.
Entre 12/02/2008 e 22/03/2008, Júpiter estará em seus próprios termos. De certa forma, encontra-se mais à vontade, mas sem a sua força natural. O foco será que os tratados e acordos indicados para o período anterior entrem logo em andamento e será a época em que as importações e as exportações estarão mais fortes, em ambos os sentidos. Entretanto, em virtude do movimento retrógrado de Saturno e a conseqüente falta de estrutura dos órgãos de governo envolvido, dos portos e aeroportos para darem conta da demanda, em termos de produtos comercializados, os resultados serão bastante inferiores à expectativa.
Com respeito a pactos sociais, pode-se esperar o anúncio de algum novo programa para a saúde para estes dias.
Entre 23/03/08 e 27/06/2008, Júpiter estará nos termos de Marte. Em 03/05/2005, Saturno retorna ao movimento direto, impondo suas naturais dificuldades e obstruções ao expansivo Júpiter. Em razão da posição de Marte, o baixo poder aquisitivo da população em geral não estimulará o comércio. Contudo, as vendas estarão aquecidas no setor de vestuário e, especialmente, no ramo de artigos desportivos.

Júpiter direto e Saturno direto
Um pequeno período compreendido entre os dias 03 e 08 de maio, com Júpiter em seus próprios termos. Há foco nos resultados, ou seja, implementar a atividade comercial de uma maneira organizada e estruturada, em todos os níveis da cadeia, ou seja, desde os centros de distribuição, inclusive no exterior e os lojistas.
Júpiter retrógrado e Saturno direto
Ainda em seus próprios termos e, agora, começam as reavaliações. Para o comércio em geral, em todos os níveis da cadeia comercial, este não poderia ser um período mais difícil. As vendas acabam recaindo apenas àquelas considerados essenciais. Grandes empreendimentos (shoppings centers) em vias de serem lançados enfrentam problemas para iniciarem de fato. Em contrapartida, as indústrias funcionam a pleno vapor e já programadas para as vendas de final do ano.
Haverá descompasso e desmentidos nos órgãos de governo, especialmente o Congresso, com vistas à eleição. Não se pode esperar grande produtividade para esta época, mas sim, a expectativa de como serão as novas composições e alianças políticas. Entretanto, nenhuma aliança formada neste período tende a ser duradoura ou se manter consolidada por muito tempo. Nota-se pouco controle sobre as finanças públicas e qualquer ajuste anterior (antes de maio) exercerá algum efeito enquanto Júpiter estiver retrógrado. Ou seja, trata-se de um período bastante instável para o comércio em razão de incertezas no campo político.
Embora o PAC seja a bandeira do governo e o empresariado esteja disposto e produzir, os investimentos tendem a ser escassos. Conseqüentemente, os resultados serão inexpressivos.
Em suma, até 08 de setembro, é o pior período do ano para o comércio e negócios em geral, especialmente o de grande porte, apesar da disposição de reverter as dificuldades. Os períodos mais difíceis serão aqueles em que Júpiter e Saturno formam aspecto entre si, entre 01 e 18 de setembro.

Júpiter e Saturno diretos
Novamente, foco nos resultados. Júpiter estará nos seus próprios termos até 14/11/2008 e a ênfase recai na obtenção de lucro a qualquer preço, particularmente nos primeiros dias do período. Apesar de lentos, os resultados começam a surgir com uma certa consistência, pressionados pela produção industrial e pelos acordos internacionais. Boas parcerias devem surgir ainda nessa época. Favorável para o lançamento de campanhas institucionais na área da saúde. Bom para o início de novos empreendimentos comerciais e campanhas publicitárias em geral.
Entre 15/11/2008 e 14/12/2008, Júpiter estará nos termos de Marte, indicando campanhas publicitárias acirradíssimas. Favorece a compra e venda de veículos em geral. Os últimos dias de novembro e os primeiros de dezembro apresentam boas indicações de vendas, as melhores do período em que Júpiter e Saturno se encontram diretos.
Entre 15/12/2008 e 31/12/2008, Júpiter estará nos termos de Saturno, com este último em movimento direto. Desfavorável para os bens de baixo valor e favorável para os bens duráveis. Bom para o lançamento de imóveis e grandes incorporações. Bom ainda para novos contratos de exportação, particularmente no setor de mineração.
Júpiter direto e Saturno retrógrado
Ainda nos termos de Saturno, até o dia 05/01/2009, Júpiter ainda estará em Capricórnio. Esta configuração sugere grande desorganização financeira e vendas caóticas. Trata-se porém de um período bastante curto em que normalmente existe pouca ou nenhuma atividade produtiva e comercial.

Conclusão
Embora as características acima indicadas sejam de ordem geral, procurei manter o foco dos acontecimentos em nosso país e tomando por referência as relações entre indústria (Saturno em Virgem) e comércio (Júpiter em Capricórnio). Depreende-se que, durante o período em que este último estiver no signo de Capricórnio, ocorrerão oscilações tanto na atividade produtiva como na comercial, com tendência a resultados moderados a ruins. Em várias momentos ao longo do ano, será a indústria que pressionará o comércio, particularmente nas épocas em que Saturno estiver direto.
A partir do segundo semestre, a cena política rouba de vez as atenções, com reflexos negativos para o comércio, embora nem tanto para a indústria.
De todo modo, para ambos os setores, a palavra de ordem é austeridade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Lendas de Natal

O Natal é, de fato a celebração de um evento muito anterior ao advento do Cristo. Associado com o Solstício de Inverno, embora com diferentes denominações e divindades, sempre teve em comum a celebração da vitória da Luz sobre as Trevas, do Bem sobre o Mal. O mito do nascimento de uma divindade solar é encontrado inclusive entre os persas e os egípcios.
Particularmente com respeito à data do nascimento do Cristo, a data de 06/01 era a preferida mas, até o século III, várias datas entre dezembro e abril coexistiam. No ano 350, Roma passou a adotar a data de 25/12, confirmada pelo Vaticano e, gradualmente, pelos demais cristãos (exceto pelos cristãos ortodoxos).
Assim, a celebração do Natal, como o fazemos em nossos dias, é uma mescla de vários costumes e crenças pré-cristãs com outras que foram se desenvolvendo a partir da Idade Média. Contudo, o atual formato do Natal surgiu definitivamente no início do século XX.

Origens persas e romanas
Yalda, também conhecido como Shab-e-Cheleh, é celebrado na véspera do primeiro dia do Inverno (21/12) pelo calendário iraniano, ou seja, junto ao Solstício de Inverno. Trata-se de um festival que celebra o nascimento do deus solar Mithra.
Era considerado de grande importância no Irã pré-muçulmano, embora continue sendo celebrado ainda em nossos dias, continuamente por uma período superior a 6000 anos. Alguns historiadores acreditam que este festival acabou se estendendo para a Europa através dos contatos entre Roma e o Império Persa, sendo posteriormente substituído pelo Natal em 25/12.
Este festival acabou sendo melhor conhecido através de sua variação romana, que se transformou na Saturnália. De todo modo, o significado é o mesmo adotado em outras culturas, celebrando a vitória da Luz sobre as Trevas.

Origens escandinavas
O Festival de Yule é de origem nórdica e servia para comemorar o início do Solstício de Inverno. Nesta data, era costume sacrificar um porco ao deus Freyr, associado à fertilidade. Justamente por isso, era celebrado com dança, festas e muita alegria.
A Bode de Yule é um dos mais antigos símbolos natalinos da Escandinávia. Sua origem é pré-cristã. O bode era associado ao deus Thor, que percorria os céus montado numa carruagem puxada por esses animais.
A função deste festival foi mudando ao longo do tempo, com jovens passando a ir de casa em casa durante o período natalino para realizar pequenas brincadeiras ou entoar canções. Uma das pessoas do grupo deveria se vestir como o Bode de Yule.
A partir do século XIX, o papel do Bode de Yule foi também se modificando, passando a ser aquele de dar presentes, com um dos homens da casa vestido como o Bode de Yule, até que essa tradição ser finalmente transformada na de Santa Claus, substituindo gradualmente a anterior.

Especificamente na Finlândia, encontramos a figura de Joulupukki, que literalmente significa Bode de Yule e é a origem de Santa Claus. Vestia-se em trajes vermelhos, usava um cajado e viajava num trenó puxado por renas.
Em sua origem, entretanto, as festividades em torno de Joulupukki eram inteiramente pagãs. O Bode de Yule era considerado um espírito demoníaco que, ao invés de presentear, ia recebê-los. O dito bode era uma criatura horrenda que assustava crianças. Não está muito claro como ele se transformou na benevolente figura que chegou até nossos dias. No entanto, o mais provável é que seja o resultado da união de vários costumes e crenças populares que se fundiram ao cristianismo.

Origens germânicas
Entre os povos germânicos pré-cristãos, também havia uma lenda associada ao mito de Odin que, por ocasião da festividade anual de Yule, reunia seu séquito de deuses e guerreiros que haviam perecido em combate para realizar uma grande caçada. As crianças enchiam as suas botas com cenouras, açúcar e palha, deixadas juntos às chaminés, para que fossem recolhidas por Sleipnir, o cavalo alado de Odin. Elas eram então recompensadas pelo deus, que deixava doces e presentes em suas botas.
Essa prática persistiu na Holanda, Bélgica e Alemanha mesmo após a adoção do cristianismo, sendo então associada a São Nicolau, que cumpria o mesmo papel de Odin, deixando doces e presentes nas botas das crianças merecedoras de recompensas. O costume foi levado para a América, onde as crianças deixavam suas meias penduradas junto à lareira.

São Nicolau /Santa Claus
A primeira versão deste santo dizia que era um bispo de Myra, no século IV, uma província da Anatólia. Era conhecido por sua generosidade com os pobres. Foi objeto de grande devoção na Holanda, Bélgica, Áustria e Alemanha, sendo representado sempre em trajes episcopais. Suas relíquias foram transportadas para Bari.
Santa Claus é de fato uma corruptela para um termo dinamarquês Sinterklaas, de fato uma forma contraída de Sint Nicolaas ou São Nicolau. Sinterklaas era também um mito baseado parcialmente na estória do bispo de Myra.

Papai Noel
O mito que hoje conhecemos como Papai Noel tem sua origem na fusão de diversos folclores, mas que tomou a forma hoje adotada a partir de sua caracterização pelos ingleses por volta do século XVII. Nessa época, surgiram seus trajes e as principais estórias a ele relacionadas, passando a representar a presença do espírito de Cristo, a partir de um conto escrito por Charles Dickens.
Assim, numa data próxima ao Festival de Yule, passou-se a trocar presentes acompanhados de poesias e cantos, desta vez, em associação com os presentes dos Três Reis Magos.

A figura do Papai Noel como o bom velhinho de longas barbas brancas e vestido em trajes vermelhos, cristalizou-se através de uma campanha publicitária da Coca-Cola no início do século XX, sendo associada ainda à filantropia e à benevolência. Sua residência oficial foi estabelecida no Pólo Norte. E graças ao enorme alcance da mídia, os mitos originais de Mithra, Freyr, Odin ou Thor, bem como aqueles associados ao nascimento do Cristo, perderam a sua importância para os aspectos comerciais da troca de presentes do dia de Natal.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O Calendário da Tradição Astrológica

Tratam-se de dois ciclos que se combinam mutuamente e que começaram no ano 1 da nossa Era.
Primeiramente, existe um ciclo maior ou Grande Ciclo, de 36 anos, que é governado pelo astro que rege o primeiro ano do ciclo anual.
A seqüência que governa ambos os ciclos é obtida na Estrela Setenária.

O ciclo anual é contado sobre as linhas da estrela, no sentido anti-horário.
O ciclo maior é contado sobre as linhas da estrela, no sentido horário.
O astro que governa o ciclo maior exerce a sua influência sobre todos os 36 anos, manifestando-se com maior poder nos anos que também é o regente do ano, ou seja, nos anos 1, 8, 15, 22 e 29 de cada ciclo maior.
Cada ciclo anual se inicia quando o Sol ingressa no signo zodiacal de Áries.

Em 1981, o Sol iniciou seu Grande Ciclo, que irá até 2016.
Podemos montar então a seguinte tabela para o Grande Ciclo do Sol e as regências anuais:

1981/1988/1995/2002/2009 - Sol
1982/1989/1996/2003/2010 - Vênus
1983/1990/1997/2004/2011 - Mercúrio
1984/1991/1998/2005/2012 - Lua
1985/1992/1999/2006/2013 - Saturno
1986/1993/2000/2007/2014 - Júpiter
1987/1994/2001/2008/2015 - Marte

A mesma Estrela Setenária também governa os dias da semana e as horas planetárias.
O significado dos astros neste sistema calêndrico é diferente daquele utilizado pela Astrologia contemporânea.

Seguem alguns significados das horas planetárias e que podem ser estendidos aos dias da semana, aos ciclos anuais e maiores (use apenas como referência).

Saturno: Reflexão profunda, estruturação de idéias e execução de tarefas que requerem paciência e disciplina. Pode ser depressiva.
Júpiter: Adequada para qualquer tipo de tarefa. Ideal para a expansão de horizontes e para inspiração. É necessário ter cuidado com exageros.
Marte: Ação, conquistas, inícios. Tarefas assertivas e competitivas. É necessário ter cuidado com lutas e desentendimentos.
Sol: Atividades energéticas ou relacionadas com liderança. Há que ter cuidado com o orgulho.
Vênus: Harmonia, beleza. Ideal para o prazer, para os contatos sociais e relacionamentos. Cuidado com os pequenos excessos.
Mercúrio: Comunicação, envio de documentos e assinaturas, renovação de documentos. É uma boa hora para atividades de estudo, ensino em aprendizagem em geral. Cuidado com as indiscrições, a má língua e as mentiras.
Lua: Ideal para tarefas mundanas (limpeza, compras, higiene). Uma boa ocasião para rever sentimentos e emoções. Cuidado com a sensibilidade, pois as coisas tendem a estar mais instáveis em horas lunares.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A Verdadeira Astrologia Simbólica

Nos dias de hoje, é muito fácil obter um mapa astral.
Nem sequer é preciso conhecer Astrologia. Basta encontrar um dos inúmeros serviços oferecidos na Internet, digitar corretamente os dados de nascimento e, em frações de segundos, um gráfico cheio de símbolos logo surge na tela.
Graças aos mecanismos de busca ou a farta literatura nas prateleiras, há muitos que se atrevem a construir interpretações baseadas em “receitas de bolo” simplificadas e, na maior parte das vezes, parciais. Chegam ao ponto de argumentar que são “possessivos” porque “minha Vênus está em Escorpião”... como uma desculpa astrológica (esfarrapada).
Mas tem ainda o outro grupo, que estuda tarot, cabala ou alquimia e se depara com o emprego dos mesmos símbolos planetários e, de posse dos livros de Astrologia, conclui absurdos que fariam os antigos mestres se revolverem no caixão.
Neste artigo, gostaria de examinar exatamente este particular, dos símbolos planetários empregados em outras Artes.

É consenso que, das Artes, a Astrologia é a primeira a surgir, entre os sumérios, por volta do ano 3800 ou 3500 aec. A hipótese exógena é comumente aceita hoje em dia, particularmente a Hipótese Cosmológica de Nast e Bernal, lançada na década de 30. Nela, a evolução intelectual da humanidade se dá em áreas distintas, aos saltos, promovida por “instrutores” em locais definidos do globo. Assim, os sumérios foram instruídos em várias artes, como a Arquitetura, Leis e a Matemática. Eles desenvolveram um intrincado sistema numérico através dos quais realizavam seus cálculos, registrados em tabuinhas de argila (cerca de 30 delas se encontram preservadas no Museu de Londres), datadas de cerca de 3800 aec.
A Astrologia surgiu na esteira da Matemática e tinha como finalidade a marcação do tempo, ou seja, era calêndrica. Alguns dos símbolos que hoje empregamos surgiram neste período, embora tenham sido modificados ou adaptados pelos gregos.
Da mesma forma que a semana de sete dias e os nomes e significados de cada dia da semana.

Gostaria de destacar esse ponto.
Hoje, entende-se como Astrologia a arte que emprega a posição dos astros para emitir julgamentos. Por muito tempo, os presságios astrológicos eram emitidos em retrospecto, pois as posições dos astros eram conhecidas apenas por ocasião de seu registro. Não havia instrumental matemático para prever as suas posições futuras. Assim também era a Astrologia praticada pelos sumérios.

Existe um problema grave com o Conhecimento Astrológico, já que entre o seu surgimento e a sua sistematização há cerca de 3000 anos. Numa região e num tempo em que a humanidade se encontrava envolta num manto de superstições, não podemos esperar outra coisa do dito Conhecimento Astrológico. Ou seja, o conhecimento original da Astrologia ficou perdido para sempre e, a Astrologia praticada posteriormente não mantém nenhum vínculo com aquela recebida pelos sumérios.

Em cerca de 400 aec, começam a surgir as primeiras “enciclopédias” astrológicas, organizadas pelos gregos. Pouco tempo depois, surge a Escola de Alexandria, onde árabes e gregos se reuniram para sistematizar o conhecimento da época, inclusive o Astrológico.
O pensamento filosófico grego se fundiu com a álgebra árabe no cadinho desta Escola, resultando nos primeiros compêndios de Astrologia.
Contudo, seu modus operandi ainda era de presságios em retrospecto. Assim, para erigir o tema de nascimento, fitava-se o céu (e não a tela de um computador). E por falta de melhores referências (efemérides), não era possível fazer uma previsão nos moldes astronômicos como a que se usa empregar modernamente.
As tabelas resultantes, especialmente aquelas desenvolvidas por Abu Mas’Ar e conhecidas pelo nome de Firdárias, são uma espécie de calendário mágico estabelecido para o nativo a partir de certas condições, com o objetivo de cobrir a lacuna da Astrologia previsional.

A Alquimia organizou-se neste cadinho ideológico e tomou emprestados os símbolos utilizados pela Astrologia para designar os seus processos, pois isso lhe traria maior credibilidade e tornaria esta disciplina de entendimento apenas pelos "iniciados".
A Cabala é uma corrente filosófica que surge alguns milênios antes, de maneira independente da Astrologia. Porém, toda vez que há uma referência associada ao tempo ou a ciclos, utiliza igualmente os símbolos astrológicos. Em outras palavras, mantém a sua referência calêndrica associada à sua conotação e significados mágicos.

Ou seja, embora os símbolos sejam os mesmos, em diferentes disciplinas, um mesmo símbolo tem significados diferentes conforme a Arte que os utilize.

As primeiras efemérides razoáveis surgiram por volta de 200 aec e, apesar dos erros grosseiros que continham, permitiram aos astrólogos de então estabelecerem uma astrologia de predição, a partir da possibilidade de prever empiricamente onde um dado astro estaria num certo momento. Dá-se então a ruptura entre a Astrologia calêndrica e de forte componente mágica e aquela de referência astronômica.
Porém, os mitos gregos só passaram a fazer parte da Astrologia após C. G. Jung, no início do séc. XX. Antes disso, entre a publicação do Tetrabiblos, de Ptolomeu (cerca de 150 ec) e a Astrologia Cristã, de Lilly (séc. XVI), o aprendizado da Astrologia demandava um longo e árido estudo, que poderia levar até 12 anos!!!

Obras consultadas:
O Instinto Geométrico, Horst Ochmann, Ed. Sulina, 2002.
História da Astrologia, Kocku von Stucrad, Ed. Globo, 2007.
Classical Astrology for Moderm Living, Lee Lehman, Whitford Press, 1996.