sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A 1ª Missa do Colégio de Piratininga

Por isso, alguns dos irmãos mandados para esta aldeia no ano do senhor de 1554, chegamos a ela a 25 de janeiro e celebramos a primeira missa numa casa pobrezinha e muito pequena no dia da conversão de São Paulo, e por isso dedicamos ao mesmo esta esta casa.


A carta acima pode ser considerada a certidão da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga, nos relata como foi o ato, oferecendo-nos as seguintes informações:
- Local: era a aldeia de onde Anchieta escreveu, Piratininga.
- Data: 25 de janeiro de 1554.
- Como: pela celebração de uma missa.
- Quem: alguns jesuítas “mandados” pelo superior provincial, Pe. Manuel da Nóbrega.
- Cerimônia presidida pelo superior local, Pe. Manuel de Paiva.
- Presentes: Tibiriçá, João Ramalho, Bartira, os jesuítas membros da nova comunidade, entre eles, José de Anchieta, muitos índios e colonos.
Foi celebrada ao ar livre, já que a casa construída por Tibiriçá, a pedido de Nóbrega, era muito pequena, como descreveu Anchieta na carta quadrimestre a Santo Inácio.

Os relatos (cartas) dos jesuítas, responsáveis pela catequese e educação dos cristãos e dos gentios, são a documentação existente sobre os primórdios da fundação da cidade de São Paulo, ocorrida por meio da 1ª Missa neste sítio.
Piratininga era o nome dado ao Planalto Paulista. Quando Martim Afonso de Souza empreendeu a colonização de São Vicente, já encontrou João Ramalho casado com Bartira, filha do cacique Tibiriçá, chefe dos Guaianases, que havia chegado à região entre 1500 e 1510.
Fundada São Vicente, Martim Afonso de Souza transpôs a Serra para oficializar o povoado do Santo André da Borda do Campo. Nomeou então João Ramalho Capitão Mor dos Campos de Piratininga.
Decorridos cerca do vinte anos, Tomé de Souza, primeiro governador geral do Brasil, visitou São Vicente, acompanhado do Pe. Manoel do Nóbrega, primeiro provincial da Companhia do Jesus no Brasil.
Ele subiu ao planalto pela primeira vez em agosto de 1553, ficando impressionado com o lugar e animado por encontrar várias famílias cujos filhos estudavam no litoral. Decidiu então transferir a escola para lá, desrespeitando a proibição de Tomé de Souza de penetrar o sertão adentro.
Segundo o relato de Anchieta, em carta a Inácio de Loyoloa, alguns irmãos chegaram na aldeia onde rezariam a 1ª Missa em 25 de janeiro de 1554, vindos muito provavelmente de Santo André da Borda do Campo. A 1ª Missa foi celebrada pelo Pe. Manuel de Paiva, ao ar livre, já que a edificação construída por Tibiriçá a pedido do Pe. Manuel da Nóbrega era muito pequena.

E, segundo Tito Lívio Ferreira:
Os jesuítas chefiados por Manoel da Nóbrega vão diretamente à casa de João Ramalho, em Santo André da Borda do Campo, onde pernoitam. No dia seguinte, ao romper da madrugada, tomam o caminho de Piratininga, onde chegam manhã alta. Padre Nóbrega designa o Padre Manoel de Paiva para celebrante da missa de 25 de janeiro de 1554, no alto do Inhapuambuçu. Serve-lhe de acólito o irmão José de Anchieta. Padre Paiva eleva o cálice do sacrifício. Anchieta retine a campainha cujo eco se perde no silêncio do terreiro. E Manoel da Nóbrega, com os olhos no céu, pede as bençãos de Deus para o Real Colégio Nascente.


A distância entre Santo André e São Paulo é de cerca de 20 quilômetros. Para uma tropa comum, composta de pessoas e jumentos, é percorrida num intervalo cerca de 5 a 6 horas (considerando uma marcha de 3 a 4 km/h). Considerando-se a rotina dos padres jesuítas e que a região era frequentemente atacada pelos índios Carijós, é muito provável que tenham partido pouco antes do amanhecer, que se deu às 05:46 horas.
Como não deve ter ocorrido muito tempo entre a chegada dos jesuítas e o início da 1ª Missa, podemos supor que o horário para este início esteja entre 10:00 e 12:00 horas.

O resultado obtido para o cálculo da hora ajustada para a 1ª Missa do Colégio de Piratininga é 10:35 do dia 25/01/1554.
Este trabalho está disponível para download.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

É Natal... cadê o Natal?

Neste final de ano, os relógios atômicos de césio serão novamente atrasados em um segundo.
Segundo os cientistas, isso ocorre porque este modo de medir o tempo não reflete a rotação da Terra, estando relacionado apenas ao ciclo próprio da radiação do referido elemento químico. A última vez que esse ajuste se fez necessário foi quando houveram os tremores que resultaram no tsunami na Indonésia, Índia e Sri Lanka, que interferiram na velocidade da rotação do planeta.

Contudo, há muito mais contido apenas neste único segundo, a começar, o fato de que a forma de medir o tempo não se encontra relacionada a um fenômeno que normalmente utilizamos para tal.
O natural seria empregar a rotação da Terra ao redor de si mesma e ao redor do Sol, correspondendo aos dias e anos, mas esse movimento é irregular. A suprema busca de precisão e linearidade não permite esses “erros” ou desajustes e buscou alguma forma mais precisa. Chegamos ao tal relógio atômico que, de fato, nada tem a ver com o Tempo como nós o conhecemos.
Este único segundo é emblemático pois representa o quanto estamos dissociados dos ritmos verdadeiros, dos ciclos naturais que ocorrem em nosso planeta, inclusive interferindo neles a ponto de, em certas localidades, não ser mais sequer perceptível.
É o progresso da humanidade...

O avanço tecnológico e as necessidades de uma economia artificial são a sustentação da vida artificial que levamos hoje e que produz uma enorme quantidade de resíduos, eufemismo para LIXO.

Chegamos ao Natal e o foco, na maior parte das pessoas em todo o mundo é o consumo, comprar e comprar, com a desculpa de dar presentes. Mas estamos em meio a uma crise financeira que, ao que tudo indica, está apenas em seu começo e que faz o dinheiro sumir do mercado gerando desemprego generalizado e, com isso, reduzindo drasticamente o consumo.

O Natal é uma festividade de recolhimento e confraternização. Encontrava-se associada ao Solstício de Inverno, no Hemisfério Norte e ao Solstício de Verão, no Hemisfério Sul. Várias lendas e mitos foram associadas a esta ocasião e posteriormente “reeditadas” pelas religiões, que os incorporaram, embora mantendo os seus princípios e assim é desde as primícias da existência do Homem no planeta.
Para quem não sabe, o Papai Noel vestido de vermelho numa carruagem puxada por renas é invenção da Coca Cola numa de suas campanhas de marketing no início do século XX. Antes existia um tal de Santa Claus, que tem uma estória controvertida, pois se mistura com a de Odin e de outros. Tenho um post a esse respeito, contando as origens do mito do “bom velhinho”.

Esta falta de sintonia e sincronia com o próprio planeta, o lugar em que vivemos, tem levado não apenas à deterioração da Terra, mas da também, da Humanidade e do que ela significa. Tornamo-nos Homo Consumus, exaurindo as reservas naturais do planeta em razão da manutenção de uma economia dissociada dos limites até do bom senso.
De fato, não se trata apenas de uma crise financeira mas, acima de tudo, de uma crise de valores, uma vez que outros movimentos que se apóiam na sustentabilidade e em justiça social deixam de ser apenas utopias tornando-se metas desejáveis de médio e curto prazo.

A recente catástrofe ocorrida em Santa Catarina (aquele furacão que devastou Houston chamava-se Cathrina...) mostrou o poder de mobilização e solidariedade da sociedade civil. Em outras palavras, ainda resta alguma louvável “humanidade” entre as pessoas.

É Natal, é ocasião de desacelerar, de acabar com os desentendimentos, especialmente os familiares e confraternizar. É ocasião para lembrar de nossos ancestrais, que não se encontram mais conosco, mas também são responsáveis por sermos o que somos. Acima de tudo, é preciso desacelerar o consumo e acelerar as relações sociais entre as pessoas, começando pelos laços consanguíneos.
É o amor que importa, expresso num abraço, numa palavra de conforto, ou apenas, em ouvir um ente mais velho.

Mas se você ainda não se convenceu, veja este vídeo com atenção e reflita...

domingo, 30 de novembro de 2008

Rendendo-me às evidências

Conjunção tríplice no céu: Lua, Vênus e Júpiter.
Vamos pelo lado bom? Juntos, indicam abundância, prosperidade e fertilidade.
Mas... sempre tem um mas...
Lua em Capricórnio => em Exílio.
Júpiter em Capricórnio => em Queda.
Vênus em Capricórnio => Peregrina.
Ou seja, o benefício que proporcionam é de moderado a pequeno.

Explicação:
A conjunção entre esses três astros deve trazer um alívio ao tão combalido sistema financeiro mundial. Mas esse alívio será pequeno ou moderado.
De minha ótica, será quase insignificante.

E como diz o Tutty Vasques: e não se fala mais nisso.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Culpados da atual crise financeira

A história se repete!!! Entretanto, da outra vez, as instituições financeiras iam bem e os governos (no caso, os reinos), muito mal.
E aí foi simples: prenderam e torturaram todo mundo, tomandos todas as suas propriedades. Igreja e Estado se reuniram para acabar com os Templários porque eles deviam de forma impagável (não existia a Lei de Responsabilidade Fiscal) e era mais fácil eliminar a quem deviam. A Ordem do Templo foi a primeira instituição bancária organizada da qual se tem notícia, financiando vários reinos da Europa.

Nesta crise atual, vemos alguns bancos ficarem insolventes e observa-se um movimento parecido, à medida que os Bancos Centrais têm recomprado algumas instituições, reestatizando-os...

Tudo culpa de Filipe, o Belo e do Papa Clemente V.