terça-feira, 10 de março de 2009

O caso do aborto dos gêmeos

Li recentemente uma notícia sobre a excomunhão dada aos médicos e à mãe da menina de 9 anos que iria dar à luz a gêmeos, vítima de estupro pelo padastro.
esta notícia pode ser encontrada aqui.
Primeiro, gostaria de apontar o meu repúdio à atitude da Igreja Católica, em razão de manter cânones absolutamente ultrapassados e fora da realidade do mundo atual. No caso do artigo citado, trata-se de privilegiar o gênero masculino em detrimento do feminino. Itens semelhantes, com respeito à falta de visão, também são encontrados quando o assunto é o uso de preservativos. A Igreja mostra-se igualmente contra e pune os infratores com a excomunhão automática... Felizmente, não há nenhum controle sobre esse particular... Só falta instituírem uma Inquisição para este fim...

Há ainda este ótimo comentário, que também vale a pena ser lido.

Mas o artigo, em seu início, chama a atenção para um ponto vital deste problema, que é a atribuição do instante em que a vida se inicia. Qual é este instante?
Porém, é preciso ir um pouco mais fundo: o que é VIDA?
Acredito que se a Vida for corretamente definida e conceituada, haverá como evitar muito sofrimento e dor a quem não o merece, apenas em prol de uma piedade sem nexo.

De uma forma, geral, admite-se que a vida seja aquele fenômeno que anima a matéria.
Os cientistas afirmam que ao menos um dos processos abaixo precisa ocorrer para que possa se admitir a existência de vida:
1. Crescimento, produção de novas células
2. Metabolismo, consumo, transformação e armazenamento de energia e massa; crescimento por absorção e reorganização de massa; excreção de desperdício.
3. Movimento, quer movimento próprio ou movimento interno.
4. Reprodução, a capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria.
5. Resposta a estímulos, a capacidade de avaliar as propriedades do ambiente que a rodeia e de agir em resposta a determinadas condições.

Porém, existe um aspecto que não é considerado, especialmente com relação ao feto: embora ele possua crescimento, metabolismo, movimento e resposta ao ambiente, não possui consciência. Os rosacruzes afirmam que enquanto o feto não inspirar pela primeira vez, a vida não se instalou. O fato é que aquele feto, até então, é um organismo dependente do organismo da mãe, usando-o para se alimentar e mesmo para as funções acima descritas. Caso não exista este meio, o feto não evoluirá.
Vou tornar esta situação um pouco mais fácil: o feto não possui capacidade (mesmo que instintiva) de decisão e, por conseguinte, depende inteiramente do organismo no qual se encontra hospedado - estou incluindo os casos de fertilização assistida.

No caso de uma criança anencéfala, a medicina já permite o aborto.
Mas existem outras situações que também deveriam ser contemplados, uma vez diagnosticados durante a gestação.

Podemos tentar ir além e refletir se pode ser considerada viva uma pessoa mantida artificialmente por aparelhos, como vimos recentemente na Itália.

Não se trata de simplesmente defender ou prolongar uma vida ou várias, mas sim, de proporcionar qualidade àquelas que vem chegando e as que estão partindo, inclusive, que possam partir com dignidade.

Uma outra definição interessante a respeito da Vida, diz que é o espaço de tempo decorrido entre o seu nascimento e morte. Que este tenha qualidade e que Deus possa estar com ele, em toda a sua vida.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Apocalipse a partir do Calendário Maia???

Nesta semana, a Veja publicou um artigo relacionando o Calendário Maia ao Apocalipse.
Com toda certeza, o editor estava sem pauta, não sabia o que inserir e incumbiu um jornalista de escrever esta absurda matéria.


Vamos aos fatos:
1. Calendário é uma forma de contar o tempo. Os maias desenvolveram um método elaborado e complexo, por sinal, bastante preciso, para contar os anos em ciclos mais longos e assim registrar a sua história.
2. Profecias maias são uma invenção moderna a respeito do supra referido calendário. Não me parece que, em nenhum momento eles tenham se preocupado em prever o futuro.
3. Um calendário é sempre cíclico, circular. Isso quer dizer que o fato da contagem do calendário maia se encerrar em 2012 não significa o final dos tempos, mas apenas o final de um ciclo, que igualmente corresponde ao início de outro.


E ainda assim, aqueles que apregoam as profecias relativas ao calendário maia não incluem o apocalipse em suas previsões. Nisso se inclue o Argüelles.
A maior parte das "profecias" dos arautos contemporâneos aponta realmente para uma mudança de fase e não para uma catástrofe.

Ou seja, os editores da revista Veja devem informar-se melhor antes de publicarem suas bobagens.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A 1ª Missa do Colégio de Piratininga

Por isso, alguns dos irmãos mandados para esta aldeia no ano do senhor de 1554, chegamos a ela a 25 de janeiro e celebramos a primeira missa numa casa pobrezinha e muito pequena no dia da conversão de São Paulo, e por isso dedicamos ao mesmo esta esta casa.


A carta acima pode ser considerada a certidão da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga, nos relata como foi o ato, oferecendo-nos as seguintes informações:
- Local: era a aldeia de onde Anchieta escreveu, Piratininga.
- Data: 25 de janeiro de 1554.
- Como: pela celebração de uma missa.
- Quem: alguns jesuítas “mandados” pelo superior provincial, Pe. Manuel da Nóbrega.
- Cerimônia presidida pelo superior local, Pe. Manuel de Paiva.
- Presentes: Tibiriçá, João Ramalho, Bartira, os jesuítas membros da nova comunidade, entre eles, José de Anchieta, muitos índios e colonos.
Foi celebrada ao ar livre, já que a casa construída por Tibiriçá, a pedido de Nóbrega, era muito pequena, como descreveu Anchieta na carta quadrimestre a Santo Inácio.

Os relatos (cartas) dos jesuítas, responsáveis pela catequese e educação dos cristãos e dos gentios, são a documentação existente sobre os primórdios da fundação da cidade de São Paulo, ocorrida por meio da 1ª Missa neste sítio.
Piratininga era o nome dado ao Planalto Paulista. Quando Martim Afonso de Souza empreendeu a colonização de São Vicente, já encontrou João Ramalho casado com Bartira, filha do cacique Tibiriçá, chefe dos Guaianases, que havia chegado à região entre 1500 e 1510.
Fundada São Vicente, Martim Afonso de Souza transpôs a Serra para oficializar o povoado do Santo André da Borda do Campo. Nomeou então João Ramalho Capitão Mor dos Campos de Piratininga.
Decorridos cerca do vinte anos, Tomé de Souza, primeiro governador geral do Brasil, visitou São Vicente, acompanhado do Pe. Manoel do Nóbrega, primeiro provincial da Companhia do Jesus no Brasil.
Ele subiu ao planalto pela primeira vez em agosto de 1553, ficando impressionado com o lugar e animado por encontrar várias famílias cujos filhos estudavam no litoral. Decidiu então transferir a escola para lá, desrespeitando a proibição de Tomé de Souza de penetrar o sertão adentro.
Segundo o relato de Anchieta, em carta a Inácio de Loyoloa, alguns irmãos chegaram na aldeia onde rezariam a 1ª Missa em 25 de janeiro de 1554, vindos muito provavelmente de Santo André da Borda do Campo. A 1ª Missa foi celebrada pelo Pe. Manuel de Paiva, ao ar livre, já que a edificação construída por Tibiriçá a pedido do Pe. Manuel da Nóbrega era muito pequena.

E, segundo Tito Lívio Ferreira:
Os jesuítas chefiados por Manoel da Nóbrega vão diretamente à casa de João Ramalho, em Santo André da Borda do Campo, onde pernoitam. No dia seguinte, ao romper da madrugada, tomam o caminho de Piratininga, onde chegam manhã alta. Padre Nóbrega designa o Padre Manoel de Paiva para celebrante da missa de 25 de janeiro de 1554, no alto do Inhapuambuçu. Serve-lhe de acólito o irmão José de Anchieta. Padre Paiva eleva o cálice do sacrifício. Anchieta retine a campainha cujo eco se perde no silêncio do terreiro. E Manoel da Nóbrega, com os olhos no céu, pede as bençãos de Deus para o Real Colégio Nascente.


A distância entre Santo André e São Paulo é de cerca de 20 quilômetros. Para uma tropa comum, composta de pessoas e jumentos, é percorrida num intervalo cerca de 5 a 6 horas (considerando uma marcha de 3 a 4 km/h). Considerando-se a rotina dos padres jesuítas e que a região era frequentemente atacada pelos índios Carijós, é muito provável que tenham partido pouco antes do amanhecer, que se deu às 05:46 horas.
Como não deve ter ocorrido muito tempo entre a chegada dos jesuítas e o início da 1ª Missa, podemos supor que o horário para este início esteja entre 10:00 e 12:00 horas.

O resultado obtido para o cálculo da hora ajustada para a 1ª Missa do Colégio de Piratininga é 10:35 do dia 25/01/1554.
Este trabalho está disponível para download.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

É Natal... cadê o Natal?

Neste final de ano, os relógios atômicos de césio serão novamente atrasados em um segundo.
Segundo os cientistas, isso ocorre porque este modo de medir o tempo não reflete a rotação da Terra, estando relacionado apenas ao ciclo próprio da radiação do referido elemento químico. A última vez que esse ajuste se fez necessário foi quando houveram os tremores que resultaram no tsunami na Indonésia, Índia e Sri Lanka, que interferiram na velocidade da rotação do planeta.

Contudo, há muito mais contido apenas neste único segundo, a começar, o fato de que a forma de medir o tempo não se encontra relacionada a um fenômeno que normalmente utilizamos para tal.
O natural seria empregar a rotação da Terra ao redor de si mesma e ao redor do Sol, correspondendo aos dias e anos, mas esse movimento é irregular. A suprema busca de precisão e linearidade não permite esses “erros” ou desajustes e buscou alguma forma mais precisa. Chegamos ao tal relógio atômico que, de fato, nada tem a ver com o Tempo como nós o conhecemos.
Este único segundo é emblemático pois representa o quanto estamos dissociados dos ritmos verdadeiros, dos ciclos naturais que ocorrem em nosso planeta, inclusive interferindo neles a ponto de, em certas localidades, não ser mais sequer perceptível.
É o progresso da humanidade...

O avanço tecnológico e as necessidades de uma economia artificial são a sustentação da vida artificial que levamos hoje e que produz uma enorme quantidade de resíduos, eufemismo para LIXO.

Chegamos ao Natal e o foco, na maior parte das pessoas em todo o mundo é o consumo, comprar e comprar, com a desculpa de dar presentes. Mas estamos em meio a uma crise financeira que, ao que tudo indica, está apenas em seu começo e que faz o dinheiro sumir do mercado gerando desemprego generalizado e, com isso, reduzindo drasticamente o consumo.

O Natal é uma festividade de recolhimento e confraternização. Encontrava-se associada ao Solstício de Inverno, no Hemisfério Norte e ao Solstício de Verão, no Hemisfério Sul. Várias lendas e mitos foram associadas a esta ocasião e posteriormente “reeditadas” pelas religiões, que os incorporaram, embora mantendo os seus princípios e assim é desde as primícias da existência do Homem no planeta.
Para quem não sabe, o Papai Noel vestido de vermelho numa carruagem puxada por renas é invenção da Coca Cola numa de suas campanhas de marketing no início do século XX. Antes existia um tal de Santa Claus, que tem uma estória controvertida, pois se mistura com a de Odin e de outros. Tenho um post a esse respeito, contando as origens do mito do “bom velhinho”.

Esta falta de sintonia e sincronia com o próprio planeta, o lugar em que vivemos, tem levado não apenas à deterioração da Terra, mas da também, da Humanidade e do que ela significa. Tornamo-nos Homo Consumus, exaurindo as reservas naturais do planeta em razão da manutenção de uma economia dissociada dos limites até do bom senso.
De fato, não se trata apenas de uma crise financeira mas, acima de tudo, de uma crise de valores, uma vez que outros movimentos que se apóiam na sustentabilidade e em justiça social deixam de ser apenas utopias tornando-se metas desejáveis de médio e curto prazo.

A recente catástrofe ocorrida em Santa Catarina (aquele furacão que devastou Houston chamava-se Cathrina...) mostrou o poder de mobilização e solidariedade da sociedade civil. Em outras palavras, ainda resta alguma louvável “humanidade” entre as pessoas.

É Natal, é ocasião de desacelerar, de acabar com os desentendimentos, especialmente os familiares e confraternizar. É ocasião para lembrar de nossos ancestrais, que não se encontram mais conosco, mas também são responsáveis por sermos o que somos. Acima de tudo, é preciso desacelerar o consumo e acelerar as relações sociais entre as pessoas, começando pelos laços consanguíneos.
É o amor que importa, expresso num abraço, numa palavra de conforto, ou apenas, em ouvir um ente mais velho.

Mas se você ainda não se convenceu, veja este vídeo com atenção e reflita...