domingo, 3 de fevereiro de 2008

Previsão, Previsibilidade e Livre-Arbítrio

Trata-se de um assunto delicado em qualquer boa roda de amigos, em razão das mais diversas crenças e pontos de vista existentes, ora condimentadas com uma boa pitada de bom senso, ora de clara conotação emocional, especialmente em se tratando de previsões humanas...
Mas existem outras áreas de atuação em que as previsões são acompanhadas com enorme interesse, como é o caso das previsões meteorológicas. As companhias de resseguros procuram estabelecer previsões de eventos (preferencialmente catastróficos) com uma antecedência de pelo menos dez anos. Na verdade, quando se trata de dinheiro ou investimentos, as previsões são sempre mais alongadas. Faz-se uma previsão quando aplicamos os nossos recursos pessoais num fundo de capitalização, de pensão ou ainda, num plano de aposentadoria privada.
Veja, não estou me referindo a prognósticos ou probabilidades, mas sim de prever o que ocorrerá dentro de um dado período de tempo. Prever é semelhante a antever, ou, sem quaisquer rodeios, buscar enxergar o futuro.

A maior parte das previsões é construída a partir de referências absolutamente matemáticas (que podem variar... a estatística é uma vasta área de estudos...), utilizando-se de parâmetros já conhecidos de eventos anteriores para, com base nesses dados estabelecer parâmetros futuros. Ou seja, se você investe um determinado valor numa caderneta de poupança constantemente durante dez anos, não será difícil calcular quanto terá ao final da aplicação, uma vez que conheça as taxas de juros vigentes durante o período. Mas, e se o banco quebrar? Ou se houver um plano econômico oficial que mude todas as regras? Ou ainda, se não estiver vivo daqui a dez anos?
Caso tenha observado, fazer previsões é mais comum do que poderíamos imaginar. O acerto e precisão das previsões é inversamente proporcional ao número de interferências e mudanças, considerados como fatores variáveis. É por essa razão que, no mercado financeiro, o desejável são regras fixas e claras, que permaneçam pelo maior tempo possível.

O objetivo de uma previsão é servir de base para um planejamento ou ainda, estabelecer um plano que ofereça o melhor resultado com o mínimo de risco. Quanto maior o número de variáveis conhecidas, maior será a tendência de acerto. No entanto, uma única variável desconhecida pode colocar toda uma previsão por água abaixo.
Por exemplo, manda-se uma sonda para o planeta Marte. Muitas previsões são feitas, com inúmeras possibilidades. Mas o clima deste planeta não é de todo conhecido e muito menos, as suas relações com os ventos solares, e muito menos as possíveis conseqüências sobre a sonda enviada meses ou anos antes. Em outras palavras, o risco envolvido é grande e a chance de algo dar errado, queiram os cientistas ou não, é enorme. A finalidade das previsões, neste caso, é numericamente comprovar aos investidores que estes riscos até que não são tão grandes. E mesmo assim, podemos ficar sem comunicação com a sonda porque se deparou com um enorme buraco do qual não consegue sair e ainda, e´acometida por uma violenta tempestade de areia marciana... rs...

No campo das previsões individuais, existem outros aspectos ainda. Além da natural curiosidade, o ser humano tem uma necessidade de tentar exercer um certo controle sobre a sua vida (e muitas vezes, também da vida alheia). É por esta razão que a maior parte das previsões individuais discorrem sobre os mesmos assuntos: amor e dinheiro.
O ser humano tem se tornado cada dia mais previsível em função do processo de globalização e de seus conseqüentes modismos. As mesmas aspirações e desejos ocorrem em toda a face do planeta. Basta apenas parametrizar o indivíduo dentro de sua escala de desejos. Que me perdoem os psicólogos, psiquiatras, religiosos e outros, esta é a mais pura verdade, pois em essência, o ser humano age cada vez mais dentro de padrões estabelecidos, sua existência se limitando a uma relação do que se espera dele e o que realmente alcança. Em outras palavras, entre os desejos da massa e os desejos individuais.
Prever, então, é estabelecer uma faixa de resultados possíveis dentro de uma linha de tempo própria àquele ser.

Faltam então tecer alguns comentários a respeito do livre-arbítrio. Será que um indivíduo pode realizar absolutamente tudo? Sabe-se que isto não é verdade. Se ele se encontra debilitado por uma doença, sobram-lhe duas alternativas: se esta doença tiver o seu próprio ciclo, ela pode se extinguir naturalmente; ou, se for de natureza grave, terá de se medicar e tratar, do contrário, terá de arcar com as seqüelas próprias daquele mal. O livre-arbítrio é o direito de escolha entre se tratar ou não, neste caso.
Ou seja, existem limitações ao livre-arbítrio e o tamanho deste tudo e está diretamente relacionado a uma condição física. E, sendo físico, é previsível. Uma pessoa que não souber idiomas não exercerá nenhuma ocupação destacada num país estrangeiro, não basta apenas invocar o livre-arbítrio. Ainda, para ser atleta, é preciso disposição, energia, disciplina e outras características associadas ao esporte escolhido. Alguém que não tolere trabalhar sob pressão deve procurar outra atividade e não há livre-arbítrio que supere essa condição.
Mas, e se isso realmente ocorrer? Milagre!!! E milagre é um assunto religioso...
Nada disso!!! Como citei anteriormente, uma previsão será tanto ou mais precisa na medida em que os fatores que concorrem para o seu desfecho sejam conhecidos. Para muitos, a chegada do homem á Lua foi um milagre, à época.

Portanto, as previsões são um fato usual da vida humana, tomada individualmente e em seu conjunto. As previsões são possíveis ao relacionar eventos e condições que se repetem ou se sucedem ciclicamente. Quanto menor o número de fatores desconhecidos, maior será a possibilidade de acerto das previsões, independente da metodologia empregada.
Prever não contradiz nenhum aspecto associado ao livre-arbítrio, uma vez que sua liberdade se encontra atrelada a certas condições físicas, sendo estas últimas absolutamente previsíveis.
Fatores imponderáveis existem; mas apenas o são enquanto desconhecidos. Uma vez conhecidos, podem ser normalmente utilizados em previsões.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Trânsito de Júpiter em Capricórnio

Considerações iniciais
Júpiter permanecerá no signo zodiacal de Capricórnio de 18/12/2007 a 05/01/2009.
Saturno, seu dispositor, durante todo esse período, encontrar-se-á no signo zodiacal de Virgem, permanecendo retrógrado entre 19/12/2007 a 02/05/2008.
Júpiter estará retrógrado entre os dias 09/05/2008 e 07/09/2008.
Assim, num primeiro momento, podemos dividir os períodos do trânsito de Júpiter em Capricórnio da maneira abaixo:
• 18/12/2007 a 02/05/2008: Júpiter direto e Saturno retrógrado.
• 03/05/2008 a 08/05/2008: Júpiter e Saturno diretos.
• 09/05/2008 a 07/09/2008: Júpiter retrógrado e Saturno direto.
• 08/09/2008 a 31/12/2008: Júpiter e Saturno diretos.
• 01/01/2009 a 05/01/2009: Júpiter direto e Saturno retrógrado.

O papel de Saturno
A função do dispositor de um astro é indicar as suas causas ou motivações.
A grosso modo, o papel de Saturno no signo zodiacal de Virgem é organizar e estruturar os meios de produção e os métodos de trabalho. Sua ação sobre as indústrias é buscar resultados tangíveis através da competência, cobrando responsabilidades de todos aqueles que participam do processo produtivo.
A Tradição Astrológica confere a esta configuração a fama de indicar muito trabalho sem uma contrapartida financeira proporcional ao dispêndio de energia ou tempo dedicados, o que torna evidentes os baixos salários.
Avesso ao desperdício, podemos esperar que reduza a ociosidade industrial a níveis bem reduzidos. Ou seja, do ponto de vista da produção, antes de realizar novos investimentos, é melhor contar com a exploração dos equipamentos e meios já disponíveis.
O Brasil é naturalmente governado por Virgem, fazendo com que este pais se torne mais sensível à ação de Saturno. No tema da Independência (07/09/1822, 16:53, São Paulo-SP), este trânsito ocorre na casa VII, que trata do comércio exterior do país. Portanto, sugere que atividade produtiva tem como foco a exportação.
Contudo, Virgem é também o signo da saúde e, o trânsito deste astro neste signo indica todas a conhecida necessidade de estabelecer uma boa organização que atenda à demanda especialmente das classes menos favorecidas, que podem ou não estar empregadas, uma vez que Saturno na casa VII em Virgem não favorece ao trabalhador de baixa grau de instrução ou capacitação profissional.
No âmbito mundial, Saturno indica as dificuldades de sobrevivência encontradas pela fauna e flora do planeta, entre outras coisas.
Outras indicações são ainda possíveis, mas gostaria de manter o foco na atividade produtiva que tem como fim, ser comercializada.

O papel de Júpiter
Normalmente, expande tudo que toca, sendo dado aos excessos.
No entanto, em Capricórnio, no signo zodiacal de sua Queda e sendo governado pelo restritivo Saturno, não haverá muito que possa fazer em termos expansivos e progressistas, particularmente quando este último astro se encontrar direto. Dos diversos significados associados a Júpiter, gostaria de me ater àqueles associados aos negócios, ao mundo das compras e das aquisições, passando pelas atividades bancárias, bolsas de valores e o mundo financeiro em geral. Alguns irão lembrar que este astro representa a figura do embaixador ou do profissional que trabalha com o comércio exterior e, esta indicação será levada em conta mais adiante neste artigo.
Capricórnio é o signo da atividade comercial organizada, como é o caso dos shoppings centers e dos postos de revenda e distribuição. É um signo onde se espera austeridade e seriedade, tendo como objetivo a materialização de resultados. O extravagante Júpiter obviamente que não se encontra à vontade numa região do céu tão dada à seriedade e objetividade. Este signo é ainda aquele das câmaras de comércio e dos órgãos de governo e, o que Júpiter têm de provar enquanto estiver por aqui, é sua credibilidade, uma vez que, no signo anterior, não precisou se preocupar com isso.
Com estas observações em mente, não dá para simplesmente considerar que "expansão" seja automaticamente o tom do período em que Júpiter estiver no signo de Capricórnio. Ao contrário, pode-se afirmar que, em certas ocasiões, ela até ocorrerá, mas dentro das características próprias do signo no qual se encontra.
No mapa do Brasil, Júpiter estará na casa XI e sem formar aspecto com a sua posição natal, na casa IV. Isso quer dizer que, apesar de atuar no campo das alianças (ou pactos) sociais, das finanças de governo e no Congresso, os benefícios não serão sentidos pela população e ainda, as notícias sobre esses assuntos não interferem na opinião popular.
Contudo, a ação de Júpiter ao longo do ano terá nuances, como sugerido pelos períodos indicados acima.

Júpiter direto e Saturno retrógrado
Tão logo Júpiter ingressar em Capricórnio, Saturno, seu dispositor, estará em movimento retrógrado. Com isso, este tende a ser um período menos difícil e restritivo para as atividades comerciais e os negócios em geral. As dificuldades próprias desta época decorrem da produção industrial e não de sua comercialização, portanto, este é um período em que o comércio se encontra aquecido e podemos esperar alguma elevação de preços em razão da demanda aquecida.
Nota: Termos são uma dignidade essencial baseada nos Domicílios, Exaltações e Triplicidades. Os luminares não participam desta dignidade. Indicam uma participação, cooperação ou colaboração. Foram utilizadas os Termos de Ptolomeu.
Entre 18/12/2007 a 14/01/2008, Júpiter estará nos termos de Vênus. Em razão do posicionamento deste último astro, os bons resultados do comércio são obtidos por meio de financiamentos, crediários e cartão de créditos. Existem melhores possibilidades de vendas quando Vênus ingressar em Sagitário (31/12/2007), exceto entre os dias 05 e 07 de janeiro, quando se observa maior comedimento. De todo modo, uma ótima época para vender bens de consumo.
Entre 15/01/2008 e 11/02/2008, Júpiter estará nos termos de Mercúrio, bastante favorável para as atividades comerciais em geral, até quando iniciar o movimento retrógrado, em 28 de janeiro. A partir desta data, é de se esperar que as operadoras de serviços de cobrança entrem em ação. Embora não se possa falar de estagnação, trata-se de uma época de resultados moderados, apropriada para a realização de balanços financeiros relativos a períodos anteriores. Deve-se esperar resultados modestos, enquanto a indústria se organiza. Acordos bilaterais ou contratos internacionais devem ser tratados neste período, com o propósito de assegurar a continuidade das vendas. Um pouco melhor entre os dias 17 e 24 de janeiro, para o setor de construção civil e farmacêutico e, para o setor de decoração nos últimos dias de janeiro.
Entre 12/02/2008 e 22/03/2008, Júpiter estará em seus próprios termos. De certa forma, encontra-se mais à vontade, mas sem a sua força natural. O foco será que os tratados e acordos indicados para o período anterior entrem logo em andamento e será a época em que as importações e as exportações estarão mais fortes, em ambos os sentidos. Entretanto, em virtude do movimento retrógrado de Saturno e a conseqüente falta de estrutura dos órgãos de governo envolvido, dos portos e aeroportos para darem conta da demanda, em termos de produtos comercializados, os resultados serão bastante inferiores à expectativa.
Com respeito a pactos sociais, pode-se esperar o anúncio de algum novo programa para a saúde para estes dias.
Entre 23/03/08 e 27/06/2008, Júpiter estará nos termos de Marte. Em 03/05/2005, Saturno retorna ao movimento direto, impondo suas naturais dificuldades e obstruções ao expansivo Júpiter. Em razão da posição de Marte, o baixo poder aquisitivo da população em geral não estimulará o comércio. Contudo, as vendas estarão aquecidas no setor de vestuário e, especialmente, no ramo de artigos desportivos.

Júpiter direto e Saturno direto
Um pequeno período compreendido entre os dias 03 e 08 de maio, com Júpiter em seus próprios termos. Há foco nos resultados, ou seja, implementar a atividade comercial de uma maneira organizada e estruturada, em todos os níveis da cadeia, ou seja, desde os centros de distribuição, inclusive no exterior e os lojistas.
Júpiter retrógrado e Saturno direto
Ainda em seus próprios termos e, agora, começam as reavaliações. Para o comércio em geral, em todos os níveis da cadeia comercial, este não poderia ser um período mais difícil. As vendas acabam recaindo apenas àquelas considerados essenciais. Grandes empreendimentos (shoppings centers) em vias de serem lançados enfrentam problemas para iniciarem de fato. Em contrapartida, as indústrias funcionam a pleno vapor e já programadas para as vendas de final do ano.
Haverá descompasso e desmentidos nos órgãos de governo, especialmente o Congresso, com vistas à eleição. Não se pode esperar grande produtividade para esta época, mas sim, a expectativa de como serão as novas composições e alianças políticas. Entretanto, nenhuma aliança formada neste período tende a ser duradoura ou se manter consolidada por muito tempo. Nota-se pouco controle sobre as finanças públicas e qualquer ajuste anterior (antes de maio) exercerá algum efeito enquanto Júpiter estiver retrógrado. Ou seja, trata-se de um período bastante instável para o comércio em razão de incertezas no campo político.
Embora o PAC seja a bandeira do governo e o empresariado esteja disposto e produzir, os investimentos tendem a ser escassos. Conseqüentemente, os resultados serão inexpressivos.
Em suma, até 08 de setembro, é o pior período do ano para o comércio e negócios em geral, especialmente o de grande porte, apesar da disposição de reverter as dificuldades. Os períodos mais difíceis serão aqueles em que Júpiter e Saturno formam aspecto entre si, entre 01 e 18 de setembro.

Júpiter e Saturno diretos
Novamente, foco nos resultados. Júpiter estará nos seus próprios termos até 14/11/2008 e a ênfase recai na obtenção de lucro a qualquer preço, particularmente nos primeiros dias do período. Apesar de lentos, os resultados começam a surgir com uma certa consistência, pressionados pela produção industrial e pelos acordos internacionais. Boas parcerias devem surgir ainda nessa época. Favorável para o lançamento de campanhas institucionais na área da saúde. Bom para o início de novos empreendimentos comerciais e campanhas publicitárias em geral.
Entre 15/11/2008 e 14/12/2008, Júpiter estará nos termos de Marte, indicando campanhas publicitárias acirradíssimas. Favorece a compra e venda de veículos em geral. Os últimos dias de novembro e os primeiros de dezembro apresentam boas indicações de vendas, as melhores do período em que Júpiter e Saturno se encontram diretos.
Entre 15/12/2008 e 31/12/2008, Júpiter estará nos termos de Saturno, com este último em movimento direto. Desfavorável para os bens de baixo valor e favorável para os bens duráveis. Bom para o lançamento de imóveis e grandes incorporações. Bom ainda para novos contratos de exportação, particularmente no setor de mineração.
Júpiter direto e Saturno retrógrado
Ainda nos termos de Saturno, até o dia 05/01/2009, Júpiter ainda estará em Capricórnio. Esta configuração sugere grande desorganização financeira e vendas caóticas. Trata-se porém de um período bastante curto em que normalmente existe pouca ou nenhuma atividade produtiva e comercial.

Conclusão
Embora as características acima indicadas sejam de ordem geral, procurei manter o foco dos acontecimentos em nosso país e tomando por referência as relações entre indústria (Saturno em Virgem) e comércio (Júpiter em Capricórnio). Depreende-se que, durante o período em que este último estiver no signo de Capricórnio, ocorrerão oscilações tanto na atividade produtiva como na comercial, com tendência a resultados moderados a ruins. Em várias momentos ao longo do ano, será a indústria que pressionará o comércio, particularmente nas épocas em que Saturno estiver direto.
A partir do segundo semestre, a cena política rouba de vez as atenções, com reflexos negativos para o comércio, embora nem tanto para a indústria.
De todo modo, para ambos os setores, a palavra de ordem é austeridade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Lendas de Natal

O Natal é, de fato a celebração de um evento muito anterior ao advento do Cristo. Associado com o Solstício de Inverno, embora com diferentes denominações e divindades, sempre teve em comum a celebração da vitória da Luz sobre as Trevas, do Bem sobre o Mal. O mito do nascimento de uma divindade solar é encontrado inclusive entre os persas e os egípcios.
Particularmente com respeito à data do nascimento do Cristo, a data de 06/01 era a preferida mas, até o século III, várias datas entre dezembro e abril coexistiam. No ano 350, Roma passou a adotar a data de 25/12, confirmada pelo Vaticano e, gradualmente, pelos demais cristãos (exceto pelos cristãos ortodoxos).
Assim, a celebração do Natal, como o fazemos em nossos dias, é uma mescla de vários costumes e crenças pré-cristãs com outras que foram se desenvolvendo a partir da Idade Média. Contudo, o atual formato do Natal surgiu definitivamente no início do século XX.

Origens persas e romanas
Yalda, também conhecido como Shab-e-Cheleh, é celebrado na véspera do primeiro dia do Inverno (21/12) pelo calendário iraniano, ou seja, junto ao Solstício de Inverno. Trata-se de um festival que celebra o nascimento do deus solar Mithra.
Era considerado de grande importância no Irã pré-muçulmano, embora continue sendo celebrado ainda em nossos dias, continuamente por uma período superior a 6000 anos. Alguns historiadores acreditam que este festival acabou se estendendo para a Europa através dos contatos entre Roma e o Império Persa, sendo posteriormente substituído pelo Natal em 25/12.
Este festival acabou sendo melhor conhecido através de sua variação romana, que se transformou na Saturnália. De todo modo, o significado é o mesmo adotado em outras culturas, celebrando a vitória da Luz sobre as Trevas.

Origens escandinavas
O Festival de Yule é de origem nórdica e servia para comemorar o início do Solstício de Inverno. Nesta data, era costume sacrificar um porco ao deus Freyr, associado à fertilidade. Justamente por isso, era celebrado com dança, festas e muita alegria.
A Bode de Yule é um dos mais antigos símbolos natalinos da Escandinávia. Sua origem é pré-cristã. O bode era associado ao deus Thor, que percorria os céus montado numa carruagem puxada por esses animais.
A função deste festival foi mudando ao longo do tempo, com jovens passando a ir de casa em casa durante o período natalino para realizar pequenas brincadeiras ou entoar canções. Uma das pessoas do grupo deveria se vestir como o Bode de Yule.
A partir do século XIX, o papel do Bode de Yule foi também se modificando, passando a ser aquele de dar presentes, com um dos homens da casa vestido como o Bode de Yule, até que essa tradição ser finalmente transformada na de Santa Claus, substituindo gradualmente a anterior.

Especificamente na Finlândia, encontramos a figura de Joulupukki, que literalmente significa Bode de Yule e é a origem de Santa Claus. Vestia-se em trajes vermelhos, usava um cajado e viajava num trenó puxado por renas.
Em sua origem, entretanto, as festividades em torno de Joulupukki eram inteiramente pagãs. O Bode de Yule era considerado um espírito demoníaco que, ao invés de presentear, ia recebê-los. O dito bode era uma criatura horrenda que assustava crianças. Não está muito claro como ele se transformou na benevolente figura que chegou até nossos dias. No entanto, o mais provável é que seja o resultado da união de vários costumes e crenças populares que se fundiram ao cristianismo.

Origens germânicas
Entre os povos germânicos pré-cristãos, também havia uma lenda associada ao mito de Odin que, por ocasião da festividade anual de Yule, reunia seu séquito de deuses e guerreiros que haviam perecido em combate para realizar uma grande caçada. As crianças enchiam as suas botas com cenouras, açúcar e palha, deixadas juntos às chaminés, para que fossem recolhidas por Sleipnir, o cavalo alado de Odin. Elas eram então recompensadas pelo deus, que deixava doces e presentes em suas botas.
Essa prática persistiu na Holanda, Bélgica e Alemanha mesmo após a adoção do cristianismo, sendo então associada a São Nicolau, que cumpria o mesmo papel de Odin, deixando doces e presentes nas botas das crianças merecedoras de recompensas. O costume foi levado para a América, onde as crianças deixavam suas meias penduradas junto à lareira.

São Nicolau /Santa Claus
A primeira versão deste santo dizia que era um bispo de Myra, no século IV, uma província da Anatólia. Era conhecido por sua generosidade com os pobres. Foi objeto de grande devoção na Holanda, Bélgica, Áustria e Alemanha, sendo representado sempre em trajes episcopais. Suas relíquias foram transportadas para Bari.
Santa Claus é de fato uma corruptela para um termo dinamarquês Sinterklaas, de fato uma forma contraída de Sint Nicolaas ou São Nicolau. Sinterklaas era também um mito baseado parcialmente na estória do bispo de Myra.

Papai Noel
O mito que hoje conhecemos como Papai Noel tem sua origem na fusão de diversos folclores, mas que tomou a forma hoje adotada a partir de sua caracterização pelos ingleses por volta do século XVII. Nessa época, surgiram seus trajes e as principais estórias a ele relacionadas, passando a representar a presença do espírito de Cristo, a partir de um conto escrito por Charles Dickens.
Assim, numa data próxima ao Festival de Yule, passou-se a trocar presentes acompanhados de poesias e cantos, desta vez, em associação com os presentes dos Três Reis Magos.

A figura do Papai Noel como o bom velhinho de longas barbas brancas e vestido em trajes vermelhos, cristalizou-se através de uma campanha publicitária da Coca-Cola no início do século XX, sendo associada ainda à filantropia e à benevolência. Sua residência oficial foi estabelecida no Pólo Norte. E graças ao enorme alcance da mídia, os mitos originais de Mithra, Freyr, Odin ou Thor, bem como aqueles associados ao nascimento do Cristo, perderam a sua importância para os aspectos comerciais da troca de presentes do dia de Natal.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O Calendário da Tradição Astrológica

Tratam-se de dois ciclos que se combinam mutuamente e que começaram no ano 1 da nossa Era.
Primeiramente, existe um ciclo maior ou Grande Ciclo, de 36 anos, que é governado pelo astro que rege o primeiro ano do ciclo anual.
A seqüência que governa ambos os ciclos é obtida na Estrela Setenária.

O ciclo anual é contado sobre as linhas da estrela, no sentido anti-horário.
O ciclo maior é contado sobre as linhas da estrela, no sentido horário.
O astro que governa o ciclo maior exerce a sua influência sobre todos os 36 anos, manifestando-se com maior poder nos anos que também é o regente do ano, ou seja, nos anos 1, 8, 15, 22 e 29 de cada ciclo maior.
Cada ciclo anual se inicia quando o Sol ingressa no signo zodiacal de Áries.

Em 1981, o Sol iniciou seu Grande Ciclo, que irá até 2016.
Podemos montar então a seguinte tabela para o Grande Ciclo do Sol e as regências anuais:

1981/1988/1995/2002/2009 - Sol
1982/1989/1996/2003/2010 - Vênus
1983/1990/1997/2004/2011 - Mercúrio
1984/1991/1998/2005/2012 - Lua
1985/1992/1999/2006/2013 - Saturno
1986/1993/2000/2007/2014 - Júpiter
1987/1994/2001/2008/2015 - Marte

A mesma Estrela Setenária também governa os dias da semana e as horas planetárias.
O significado dos astros neste sistema calêndrico é diferente daquele utilizado pela Astrologia contemporânea.

Seguem alguns significados das horas planetárias e que podem ser estendidos aos dias da semana, aos ciclos anuais e maiores (use apenas como referência).

Saturno: Reflexão profunda, estruturação de idéias e execução de tarefas que requerem paciência e disciplina. Pode ser depressiva.
Júpiter: Adequada para qualquer tipo de tarefa. Ideal para a expansão de horizontes e para inspiração. É necessário ter cuidado com exageros.
Marte: Ação, conquistas, inícios. Tarefas assertivas e competitivas. É necessário ter cuidado com lutas e desentendimentos.
Sol: Atividades energéticas ou relacionadas com liderança. Há que ter cuidado com o orgulho.
Vênus: Harmonia, beleza. Ideal para o prazer, para os contatos sociais e relacionamentos. Cuidado com os pequenos excessos.
Mercúrio: Comunicação, envio de documentos e assinaturas, renovação de documentos. É uma boa hora para atividades de estudo, ensino em aprendizagem em geral. Cuidado com as indiscrições, a má língua e as mentiras.
Lua: Ideal para tarefas mundanas (limpeza, compras, higiene). Uma boa ocasião para rever sentimentos e emoções. Cuidado com a sensibilidade, pois as coisas tendem a estar mais instáveis em horas lunares.